sexta-feira, 21 de julho de 2017

TUDO IMPORTA




Já sabemos que a gula é um mau hábito. É como se fosse um território do raciocínio, é dominado por uma forte ligação com o que é terreno, e sabemos que, se é terreno, carece de sabedoria, a menos que as sensações do alimento nos levem ao conhecimento de algo.

Por exemplo, uma degustação de gastronomia chinesa, ou do Timor Leste. Eis um momento em que as sensações terrenas nos levam a conhecer um povo pelos hábitos, e estes, transferindo causas e levando a escolhas de alimentos, ensinam a cultura da nação.

Mas comer desenfreadamente qualquer coisa, ou manter hábitos alimentares prejudiciais à saúde não são conhecimento, a menos  que esse vício nos leve ao autoconhecimento e posterior emenda.

Por que se emendar, se a pessoa gosta de comer gordura, ou pão, quando bem entender?
Ou, ainda, por que resistir à vontade e à gula, se por vezes elas são tão fortes quanto uma força de arrasto de dependência química?

Em primeiro lugar, por causa da opção filosófica.
Se optou por ser cristã, não pode ligar-se ao terreno, ao mundo. Não pode se ligar às coisas do mundo que não produzem conhecimento. A gula não produz conhecimento, logo, a permanência da gula em nós abre as portas para uma série de pecados, uma vez que se trata de um território do raciocínio no qual impera o diabo da gula.
Em primeiro lugar, amamos a Deus sobre todas as coisas. Se há um território que não é comandado por Deus, esse território do raciocínio não tem conexão com o divino, e desse modo não o amamos sobre todas as coisas.
Todas as coisas implicam estarem debaixo do amor que temos por Deus.

Em segundo lugar porque essa opção filosófica de ser cristã implica em amar ao próximo como a nós mesmos.
Se eu sou cristã e serva do demônio da gula, digo com minhas atitudes ao próximo que não é possível sofrer na batalha contra o demônio. Digo que há alguns demônios aos quais não se deve resistir, como o da gula.
Mas então sou responsável pela desilusão e o fracasso do próximo, e isso é desobedecer à segunda lei do cristianismo.

Para fundamentar minha desobediência à segunda lei: amar ao próximo como a mim mesma, lembro a Epístola aos Hebreus, 12, 1-4: ainda não resististes até o sangue...

E na primeira epístola de João, entendemos que a maior prova de amor é dar a vida pelo irmão.

Então a coisa se propõe assim: ou somos cristãos, ou não o somos.
Não há ser cristão pela metade. Ou se é, ou se não é, e só vale estar no Caminho evoluindo se temos evoluído pelo Caminho. Só vale errar enquanto não conhecemos o próprio erro, e saibamos nós, que não saber dos próprios erros já é pecado de impiedade. O Salmo diz: perdoa os pecados que não conheço.

Assim, como ficamos?
Ou procuramos a sabedoria ou não a procuramos.
Ou amamos o irmão, ou não o amamos.

Quer um conselho espiritual?
Sofra a privação. Faça uma lista dos alimentos possíveis no seu dia.
Comer além disso, ou em quantidade excedente, é falta de sabedoria.
E consequentemente, é o fracasso do teu irmão, a quem deverias amar.

" Cuida de ti mesmo e daquilo que ensinas. Mostra-te perseverante. Assim te salvarás a ti mesmo e também aqueles que te escutam." ( 1Tm 4,16)

Você pode dizer que não é de ferro.
Não precisa ser de ferro.
Apenas resista até o sangue.





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